“Assim diz o Senhor: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem o forte na sua força, nem o rico nas suas riquezas; mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em me conhecer e saber que eu sou o Senhor, que faço misericórdia, juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz o Senhor.”

(Jeremias 9:23–24)

O profeta Jeremias nos apresenta uma verdade profunda: toda honra e toda glória pertencem a Deus. Ainda assim, o próprio Senhor reconhece que o ser humano busca gloriar-se em algo. Diante disso, Ele direciona essa busca: se formos nos gloriar, que seja no esforço de conhece-Lo.

Essa declaração encontra forte ligação com o que o apóstolo Paulo escreve em Filipenses 3:8–14, quando afirma:

“Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor.”

Tanto Jeremias quanto Paulo apontam para o mesmo centro: o conhecimento de Deus em Cristo como a única glória verdadeira.

O significado da glória e a busca humana por satisfação

Uma das definições da palavra glória está ligada a sentir-se honrado, satisfeito ou orgulhoso. Em nossa vida terrena, isso costuma se manifestar por meio de conquistas profissionais, relacionamentos, estabilidade financeira ou reconhecimento social. Em outras palavras, gloriar-se, para nós, muitas vezes significa sentir-se satisfeito com aquilo que alcançamos.

No entanto, o Senhor nos convida a redefinir essa lógica. Ele afirma que, se formos buscar satisfação, honra e orgulho, que seja na busca por conhece-Lo.

Paulo reforça esse princípio ao declarar que tudo o que conquistou perdeu o valor quando comparado ao conhecimento de Cristo. Aquilo que antes lhe trazia satisfação passou a ser considerado perda.

A ligação é clara: Busca pelo conhecimento de Cristo → verdadeira satisfação.

A insatisfação humana e suas consequências

Quantas vezes, ao longo da vida, nos sentimos insatisfeitos sem saber exatamente o porquê? Trabalho, salário, casa, relacionamentos. Nada parece preencher completamente. O ser humano vive em uma busca constante por algo que lhe traga satisfação.

Os dados reforçam essa realidade. OMS, cerca de 5,8% da população brasileira sofre de depressão, o que representa aproximadamente 11,7 milhões de pessoas.

Pesquisas apontam que um dos principais gatilhos da depressão está ligado à insatisfação, seja no trabalho, no corpo, nos relacionamentos ou na vida como um todo.

Buscamos honra, valor e reconhecimento em nós mesmos e naquilo que construímos. Porém, nunca estamos plenamente satisfeitos, porque em nós não há glória para sustentar essa expectativa. A insatisfação, então, nos torna ingratos e, pouco a pouco, desvia nossos olhos de Deus. Quando estamos insatisfeitos, é sinal de que o foco já deixou de ser Cristo.

Quando Deus deixa de ser suficiente

A insatisfação faz com que deixemos de honrar aquilo que Deus já fez em nossas vidas. Costumo dizer que o ser humano tem a capacidade de transformar bênçãos em maldições, e isso não é algo novo.

No livro de Êxodo, vemos um exemplo claro disso. Deus libertou o povo do Egito, alimentou-os no deserto, cuidou de suas vestes, protegeu-os com a nuvem durante o dia e a coluna de fogo à noite. Mais do que isso, escolheu habitar nomeio deles e falar com eles por meio de Moisés. Ainda assim, o povo murmurava constantemente, porque estava insatisfeito.

O Deus do seu clamor deixou de ser suficiente. E quando o ser humano deixa de enxergar a Deus, inevitavelmente passa a criar seus próprios deuses.

A presença acima das bênçãos

Quando os olhos estão no Senhor, a presença se torna mais importante do que as bênçãos ou promessas. Moisés expressa isso claramente ao dizer:

“Se a tua presença não for comigo, não nos faças sair deste lugar.” (Êxodo 33:15)

Da mesma forma, vemos em João 12: Maria derramando um perfume caríssimo aos pés de Jesus. Aquilo que para muitos parecia desperdício, para quem tem os olhos em Cristo nunca é perda. Quando o foco é o Senhor, o que é entregue a Ele se torna honra.

Contentamento em Cristo

Em Cristo aprendemos a viver satisfeitos em qualquer circunstância. Paulo declara:

“Aprendi a viver contente em toda e qualquer situação.” (Filipenses 4)

Essa satisfação não depende da abundância ou da escassez, da honra ou da humilhação, porque em Cristo já estamos completos.

Em Mateus 5, ao proclamar as bem-aventuranças, Jesus ensina:

“Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos céus…” (Mateus 5:1–12)

A expressão bem-aventurado significa mais do que simplesmente feliz. Jesus revela que aquele que está n’Ele é mais do que feliz, pois mesmo diante do sentimento de faltar algo, em Cristo já estamos de fato completos.

Tudo o que precisamos é encontrado na busca por Ele.

Portanto, se formos nos gloriar em algo, que seja na busca por Cristo, em conhecer Sua face e viver segundo Sua vontade. Todas as outras glórias são passageiras. Nele, porém, encontramos a única satisfação plena, verdadeira e eterna.

 

 

Por Mariana Espíndola.

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