“E veio a palavra do SENHOR a Jonas, filho de Amitai, dizendo:
2 Levanta-te, vai à grande cidade de Nínive, e clama contra ela, porque a sua malícia subiu até à minha presença.
3 Porém, Jonas se levantou para fugir da presença do Senhor para Társis.”
(Jonas 1:1-3)


Vamos olhar para o texto com contexto

Nínive, capital do antigo império Assírio, atualmente fica no Iraque, e Társis, na Espanha.

Jonas era filho de Amitai, profeta de Deus. Amitai significa “minha verdade” e Jonas significa “pomba”, ave que os israelitas associam à paz e liberdade. Ele é derivado do nome “YONAH”, que significa “Deus deu” ou “Presente de Deus”. Então Jonas, pomba que Deus deu, filho da Minha Verdade, recebeu uma ordem do Senhor para ir à grande cidade de Nínive.

Nínive, capital da Assíria, era a sede de um império militar organizado e extremamente cruel. Mutilações públicas e coisas piores eram de conhecimento dos povos vizinhos. Eles governavam através do terror, a ponto de seus inimigos nem tentarem ir à luta para se defenderem, se entregando pelo medo de sofrerem os terrores dos assírios.

E o que Israel tem com isso?

Jonas era profeta, na sucessão de seu pai, quando Jeroboão II era rei em Israel. Nessa época, os assírios estavam tentando invadir Israel.

Então temos uma grande nação militar e cruel que está sitiando Israel para destruí-la e subjugá-la, e temos Jonas, israelita e profeta, boca de Deus, quem representava a força e estratégia de Israel.

Todo o contexto nos mostra o motivo de Jonas não querer cumprir o chamado que Deus lhe havia conferido. Ainda, não podemos deixar de perceber o quanto Jonas era magoado com o povo assírio, magoado a ponto de, mesmo conhecendo a benignidade do Senhor, querer a destruição deles. Então, Deus chama um profeta israelita chateado e diz para ele ir para o coração da terra dos inimigos ministrar à Sua misericórdia. Era certamente uma ordem louca.

Mas o que fazer quando Deus te dá uma ordem? Um chamado a ir. Ir e fazer o que você não quer? Não fuja.

Jonas, ao fugir da presença de Deus e de seu chamado, correu para a direção completamente oposta e trouxe destruição para aqueles que nada tinham relação com a história.

8 “Então lhe disseram: Declara-nos tu agora, por causa de quem nos sobreveio este mal. Que ocupação é a tua? Donde vens? Qual é a tua terra? E de que povo és tu?
9 E ele lhes disse: Eu sou hebreu, e temo ao Senhor, o Deus do céu, que fez o mar e a terra seca.
10 Então estes homens se encheram de grande temor, e disseram-lhe: Por que fizeste tu isto? Pois sabiam os homens que fugia da presença do Senhor, porque ele lho tinha declarado.
11 E disseram-lhe: Que te faremos nós, para que o mar se nos acalme? Porque o mar ia se tornando cada vez mais tempestuoso.
12 E ele lhes disse: Levantai-me, e lançai-me ao mar, e o mar se vos aquietará; porque eu sei que por minha causa vos sobreveio esta grande tempestade.
13 Entretanto, os homens remavam para fazer voltar o navio à terra, mas não podiam, porquanto o mar se ia embravecendo cada vez mais contra eles.
14 Então clamaram ao Senhor, e disseram: Ah, Senhor! Nós te rogamos, que não pereçamos por causa da alma deste homem, e que não ponhas sobre nós o sangue inocente; porque tu, Senhor, fizeste como te aprouve.
15 E levantaram a Jonas, e o lançaram ao mar, e cessou o mar da sua fúria.” (Jonas 1:8-15)

Mas, afinal de contas, do que Jonas fugia?

O que o Senhor tinha para Ele? Além do desafio natural de entrar em terra inimiga e ministrar a um povo politeísta e violento, Jonas tinha o desafio interior de perdoar os seus perseguidores e os tornar seus iguais perante Deus, dignos da mesma misericórdia que alcançava de graça o povo hebreu. Ele os desprezava, mas o Senhor os amava.

Como aqueles que cresceram vendo deuses em esculturas e sacrifícios violentos iriam crer no amor, juízo e misericórdia de um Deus invisível? Através da vida de Jonas. Um israelita perseguido que correu em direção ao inimigo para potencialmente sacrificar a sua vida apenas porque Deus amou aquele povo.

Só que temos um problema: Jonas não amava os ninivitas. Acredito que, do íntimo do seu coração, ele se considerava melhor que eles e, sem perceber, estava envolto em seu próprio orgulho.

E qual foi a resposta do Senhor diante do orgulho de Jonas?

Um bom tempo no “‘cantinho do pensamento”, dentro das entranhas nojentas de um peixe.

“O SENHOR detesta todos os orgulhosos; eles não escaparão do castigo, de jeito nenhum. Quem é bom e fiel recebe o perdão do seu pecado, e quem teme o SENHOR escapa do mal. Se a nossa maneira de viver agrada a Deus, ele transforma os nossos inimigos em amigos.” (Provérbios 16:5-7)

Caindo em si, Jonas disse:

“Eu disse: Fui expulso da tua presença; contudo, olharei de novo para o teu santo templo.
[…]
Aqueles que acreditam em ídolos inúteis desprezam a misericórdia.
Mas eu, com um cântico de gratidão, oferecerei sacrifício a ti. O que eu prometi cumprirei totalmente. A salvação vem do Senhor.”
(Jonas 2:4, 8-9)

Agora vamos para a aplicação prática

Todo cristão tem um chamado a ir (“Portanto, vão” – Mateus 28:19). Esse “ide” pode se manifestar de diversas formas. E junto a essa ordem, temos um chamado, uma característica especial que Deus nos deu para servir à igreja: os cinco ministérios (apóstolo, pastor, profeta, evangelista e mestre).

Se você já sabe qual é a sua ordem e qual é o seu chamado, o que é que você está fazendo que não é o que Deus te comissionou a fazer? Em qual direção você está caminhando e atrasando o que o Senhor tem para aqueles que serão impactados através da sua obediência?

“Ah, mas já existem outras pessoas na igreja com esse mesmo chamado que já exercem tão bem… no que eu vou agregar?” Bom, na mesma época de Jonas, haviam outros profetas sobre a nação de Israel, como o profeta Amós e o profeta Oséias, mas o Senhor escolheu Jonas. Não fuja, obedeça.

Refletindo sobre o processo

Eu creio que, por trás da nossa fuga do Senhor, existem coisas escondidas que precisam ser expostas e curadas, as quais usamos como justificativa para não fazer o que precisa ser feito. Pecados como o orgulho, a preguiça, a falta de confiança, a falta de amor, e por aí vai… Só que o que nós muitas vezes não entendemos é que no processo da obediência é que vamos sendo curados das mazelas e capacitados para o cumprimento do propósito.

À medida que eu vou caminhando em direção ao chamado e me exponho ao Senhor, mostrando a Ele as minhas deficiências, Ele é misericordioso para curá-las e transformá-las em motivo de glória.

“Mas ele me disse: ‘Minha graça é suficiente para você, pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza’. Portanto, eu me gloriarei ainda mais alegremente em minhas fraquezas, para que o poder de Cristo repouse em mim.”
(2 Coríntios 12:9)

Um último ponto de atenção

Um outro ponto que precisamos observar e ter muito temor é para não desprezarmos aquilo que Deus nos oferece.

Na história de Jacó e Esaú, temos que Esaú desprezou o seu direito de primogenitura:

“Certa vez, quando Jacó preparava um ensopado, Esaú chegou faminto, voltando do campo,
e pediu-lhe: ‘Dê-me um pouco desse ensopado vermelho aí. Estou faminto!’. Por isso também foi chamado Edom.
Respondeu-lhe Jacó: ‘Venda-me primeiro o seu direito de filho mais velho’.
Disse Esaú: ‘Estou quase morrendo. De que me vale esse direito?’.
Jacó, porém, insistiu: ‘Jure primeiro’. Então ele fez um juramento, vendendo o seu direito de filho mais velho a Jacó.”
(Gênesis 25:29-33)

No reino, quando não há manifestação de valor, nós deixamos de ter acesso. Vivemos bem essa lição quando perdemos o acesso ao Château d’If. Cuidado para não perder o acesso à herança que Deus confiou a você.

Jesus em Mateus 6:21 diz:

“Pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração.”

Tesouro é algo que existe percepção de valor, algo que nos leva em direção. Um tesouro é digno do nosso esforço, cuidado e dedicação: “É justo que muito custe o que muito vale”.

Qual valor temos dado aos tesouros que o Senhor nos oferece? Qual é o nível de interesse que temos depositado naquilo que Deus nos comissiona?

Reflexão: o chamado de Deus

Portanto, pare de fugir, exponha-se ao processo de capacitação no caminho da obediência. Não diga ao Senhor que o que Ele te deu não vale ou que Ele errou na escolha. É incongruente e desrespeitoso cantar que Deus é perfeito se, quando Ele nos dá uma ordem, nós dizemos que Ele errou.

Assim como Jonas, diga ao Senhor:

“Mas eu, com um cântico de gratidão, oferecerei sacrifício a ti. O que eu prometi cumprirei totalmente. A salvação vem do Senhor.”

E corra para a direção certa.

Por Jhenifer Vasconcelos

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